Como funciona uma sessão de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos? Entenda cada etapa do processo terapêutico

Como funciona uma sessão de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos? Entenda cada etapa do processo terapêutico

Quando as pessoas ouvem falar em Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP), é comum imaginarem que todo o tratamento acontece durante o período em que uma substância, como psilocibina, MDMA ou cetamina, está produzindo seus efeitos.

Essa percepção, embora compreensível, não corresponde à realidade dos protocolos clínicos utilizados em pesquisas e em serviços especializados.

Na prática, a sessão é apenas uma etapa de um processo terapêutico muito mais amplo. A qualidade dos resultados depende da combinação entre avaliação clínica, preparação, acompanhamento durante a experiência e integração psicoterapêutica posterior.

É justamente essa estrutura que diferencia a PAP de uma simples administração de um medicamento.

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A experiência começa antes da sessão

Ao contrário do que muitos imaginam, o tratamento não começa no dia em que a substância é administrada.

Antes disso, ocorre uma avaliação cuidadosa para compreender o histórico clínico do paciente, seu estado de saúde física e mental, tratamentos anteriores, expectativas e possíveis contraindicações.

Também é nesse momento que a equipe define se aquela abordagem faz sentido para aquele paciente.

Nem toda pessoa é candidata à PAP.

Essa seleção cuidadosa faz parte da segurança do tratamento.

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O que dizem os estudos

Os principais protocolos internacionais incluem avaliação médica e psicológica antes da sessão. A seleção adequada dos participantes é considerada uma das etapas fundamentais para reduzir riscos e aumentar a segurança da intervenção.

Referência

Reiff CM et al., American Journal of Psychiatry, 2020.

DOI: 10.1176/appi.ajp.2019.19010035

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A preparação é parte do tratamento

Depois da avaliação, inicia-se uma etapa frequentemente subestimada: a preparação.

Nessa fase, terapeuta e paciente constroem uma relação de confiança, discutem expectativas, esclarecem dúvidas e conversam sobre aspectos emocionais que poderão surgir durante a experiência.

Também são explicados os procedimentos clínicos, o ambiente da sessão e as estratégias utilizadas caso ocorram momentos de ansiedade ou desconforto.

Essa preparação reduz inseguranças e favorece uma participação mais consciente no processo terapêutico.

Em muitos protocolos de pesquisa, são realizadas uma ou mais sessões preparatórias antes da administração da substância.

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Por que isso importa?

A qualidade da aliança terapêutica é considerada um dos fatores que podem influenciar a experiência do paciente.

Embora a substância exerça efeitos neurobiológicos importantes, o contexto psicológico e relacional também participa do processo terapêutico.

Na literatura científica, essa interação costuma ser resumida pela expressão “set and setting” — isto é, o estado mental do paciente (set) e o ambiente físico e interpessoal em que a experiência acontece (setting).

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A sessão clínica

Somente depois dessas etapas ocorre a administração da substância, quando prevista pelo protocolo terapêutico.

Durante toda a experiência, o paciente permanece em ambiente cuidadosamente preparado e acompanhado por profissionais treinados.

O objetivo não é conduzir a experiência, mas oferecer segurança, acolhimento e suporte caso necessário.

Dependendo da substância utilizada e do protocolo clínico, a duração da sessão pode variar de algumas horas até grande parte do dia.

O ambiente costuma ser tranquilo, silencioso e planejado para favorecer conforto e privacidade.

Em muitos estudos, utilizam-se recursos como música cuidadosamente selecionada e estímulos ambientais mínimos para favorecer a introspecção.

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A substância não faz a terapia sozinha

Talvez o maior equívoco seja imaginar que a transformação acontece exclusivamente durante a experiência psicodélica.

Na realidade, muitos pesquisadores defendem que a substância cria uma oportunidade para o trabalho psicoterapêutico, mas não substitui esse trabalho.

Ela pode favorecer maior abertura emocional, flexibilização de padrões rígidos de pensamento e acesso a conteúdos psicológicos relevantes.

Entretanto, compreender essas experiências e incorporá-las ao cotidiano depende do acompanhamento terapêutico.

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A integração: onde a experiência ganha significado

Após a sessão, inicia-se uma das etapas mais importantes da PAP: a integração.

Nesse momento, paciente e terapeuta exploram as experiências vividas, identificam aprendizados, discutem emoções despertadas e buscam transformar percepções em mudanças concretas na vida cotidiana.

A integração ajuda a conectar a experiência subjetiva com objetivos terapêuticos definidos anteriormente.

Sem esse processo, insights importantes podem perder força ou não produzir mudanças consistentes.

Por isso, muitos especialistas consideram a integração um dos pilares da abordagem.

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O que dizem os estudos

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Medicine concluiu que a preparação e a integração psicoterapêutica aparecem como componentes essenciais na maioria dos protocolos clínicos publicados até o momento.

Referência

Cavarra et al., 2022.

DOI: 10.3390/jcm11133730

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O que a ciência ainda está investigando

Embora exista consenso sobre a importância da preparação e da integração, diversos aspectos continuam sendo estudados.

Entre eles:

  • qual número ideal de sessões preparatórias;
  • quais modelos psicoterapêuticos apresentam melhores resultados;
  • quanto tempo deve durar a integração;
  • como adaptar protocolos para diferentes transtornos mentais.

Essas perguntas demonstram que a PAP continua evoluindo à medida que novas evidências científicas são produzidas.

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Muito além de uma sessão

Quando observamos todo o processo, percebemos que a administração da substância representa apenas uma parte da intervenção.

A PAP envolve planejamento, avaliação, acompanhamento clínico e psicoterapia estruturada antes, durante e depois da experiência.

Por isso, reduzir essa abordagem ao uso de um medicamento significa ignorar justamente aquilo que a diferencia dos protocolos científicos atualmente investigados.

A qualidade da formação dos profissionais e a capacidade de integrar conhecimentos de diferentes áreas da saúde são elementos fundamentais para que essa abordagem continue evoluindo de forma ética, segura e baseada em evidências.

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Em resumo

Uma sessão de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos não se resume ao momento da administração da substância.

Ela faz parte de um processo terapêutico composto por quatro etapas principais:

✔ avaliação clínica;

✔ preparação;

✔ sessão assistida;

✔ integração psicoterapêutica.

É a combinação dessas etapas que caracteriza a PAP como uma abordagem clínica estruturada.

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Perguntas frequentes (FAQ)

A sessão é a parte mais importante da PAP?

Ela é uma etapa importante, mas não a única. Avaliação, preparação e integração fazem parte do tratamento e contribuem para a segurança e os resultados terapêuticos.

Quanto tempo dura uma sessão?

Depende da substância utilizada e do protocolo clínico. Em pesquisas, a duração pode variar de algumas horas até grande parte do dia.

O paciente fica sozinho durante a sessão?

Não. Os protocolos clínicos preveem acompanhamento por profissionais treinados, em ambiente controlado e com monitoramento adequado.

O que é integração terapêutica?

É o processo psicoterapêutico realizado após a sessão para ajudar o paciente a compreender e incorporar as experiências vividas ao seu cotidiano.

Toda PAP utiliza o mesmo protocolo?

Não. Os protocolos variam conforme a substância estudada, a condição clínica, o objetivo terapêutico e o desenho da pesquisa ou da prática clínica.

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Compreender cada etapa da PAP exige muito mais do que conhecer os efeitos das substâncias estudadas. É necessário integrar conhecimentos em psicoterapia, neurociência, farmacologia, ética, pesquisa clínica e cuidado centrado no paciente.

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Referências científicas

  1. Reiff CM, Richman EE, Nemeroff CB, et al. Psychedelics and Psychedelic-Assisted Psychotherapy. American Journal of Psychiatry. 2020.
    DOI: 10.1176/appi.ajp.2019.19010035
  2. Cavarra M, et al. Psychedelic-Assisted Psychotherapy—A Systematic Review of Associated Psychological Interventions. Journal of Clinical Medicine. 2022.
    DOI: 10.3390/jcm11133730
  3. Johnson MW, Richards WA, Griffiths RR. Human Hallucinogen Research: Guidelines for Safety. Journal of Psychopharmacology. 2008.
    DOI: 10.1177/0269881108093587
  4. Carhart-Harris RL, Goodwin GM. The Therapeutic Potential of Psychedelic Drugs: Past, Present, and Future.Neuropsychopharmacology. 2017.
    DOI: 10.1038/npp.2017.84

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