Perfil Medicinal do LSD em Distúrbios Psiquiátricos

A Dietilamida do Ácido Lisérgico (LSD) é um composto semissintético, com efeitos psicoativos e, inicialmente, usado como uma droga experimental, para pesquisas psiquiátricas. A psicoterapia assistida por LSD foi explorada principalmente para tratar alcoolismo, neurose e distúrbios psicossomáticos.

Apesar de induzir a algumas alterações sensoriais e experiências místicas, quando administrado com segurança, em um ambiente supervisionado por um médico, o LSD pode reduzir a ansiedade e quadros de depressão. 

A aplicação da psicoterapia com drogas psicodélicas começou na década de 1950. Inicialmente, foram aplicadas doses reduzidas e sessões frequentes para aprimorar o processo psicoterapêutico e, posteriormente, utilizou-se doses mais altas, em menos sessões, para induzir uma experiência mística. Somente na década de 1960 o LSD foi integrado ao tratamento de pacientes com câncer, em estágio avançado e demonstrou segurança e resultados promissores. 

Nessa mesma época, o LSD tornou-se ilegal nos EUA, devido uso indiscriminado, interrompendo as pesquisas científicas. Países como Holanda, Alemanha e Suíça prosseguiram com estudos adicionais com LSD. 

As pesquisas com psicoterapia assistida por LSD, interrompidas no início da década de 1970, somente foram retomadas após os anos 2010, quando foi possível avaliar a segurança e eficácia do LSD como complemento à psicoterapia em pessoas com ansiedade, após serem diagnosticados com uma doença potencialmente fatal. 

Importante relembrar esse contexto histórico, para compreender as limitações científicas ocorridas ao longo dos anos, bem como ressaltar o interesse científico, como opção reconhecida de tratamento para diversas patologias.

O LSD pode causar aumento nas funções cognitivas desorganizadas e pensamentos delirantes, levando ao humor positivo, em vez de fenômenos psicóticos negativos. O mecanismo originário do humor pode ser associado a neuroadaptações para reverter o sistema e a tolerância da serotonina, semelhante  ao efeito no processamento emocional vivenciado pelos indivíduos com transtorno de estresse pós-traumático. 

Os possíveis sintomas fisiológicos do LSD são relativamente leves. Em geral, pode aumentar a pressão arterial, a frequência cardíaca, a temperatura corporal e causar pupilas dilatadas, aumento dos reflexos motores profundos dos tendões, tensão muscular e ataxia. A taquicardia é o efeito fisiológico mais comum, que causa internações hospitalares durante o uso agudo. 

Os efeitos colaterais agudos, após a administração de LSD, incluem dificuldade de concentração, dor de cabeça, tontura , anorexia, boca seca , náusea, sensação de instabilidade e fadiga. Dores de cabeça e fadiga podem durar 72 horas.  

Ressalta-se que o uso do LSD em ambientes médicos, é rigoroso e oferece segurança no processo, de acordo com as diretrizes normativas.  

Devido aos seus efeitos no processamento emocional, o LSD pode ser útil na psicoterapia, pois não há evidência de prejuízo persistente no desempenho neurocognitivo crônico resultante do uso de LSD.

Estudos demonstraram que o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos pode estar relacionado às anormalidades da neuroplasticidade, identificadas pela predisposição do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Foi relatado que níveis reduzidos de BDNF estão associados à depressão, TEPT, transtorno bipolar e comportamento suicida e microdoses de LSD aumentaram os níveis circulantes de BDNF em voluntários saudáveis. 

Observou-se que as drogas psiquiátricas proporcionam melhorias terapêuticas ao afetar processos relacionados à neuroplasticidade e a eficácia terapêutica do LSD, para fins medicinais,  em potenciais distúrbios neuropsiquiátricos, não devem ser ignorados.

Em um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, a administração de LSD durante 2 sessões de tratamento induziu reduções rápidas e duradouras na ansiedade, depressão e sintomas psiquiátricos, por até 16 semanas. Houve uma redução significativa no quadro de ansiedade, após o último tratamento com LSD, em comparação com o placebo e redução nos sintomas, logo após a primeira sessão de LSD.

O LSD foi bem tolerado neste estudo, apesar de eventuais episódios de ansiedade transitória e reação delirante durante a sessão. O LSD pode produzir ansiedade aguda em algumas pessoas, particularmente em doses elevadas. 

A dose de 200 μg de LSD, utilizada neste estudo, pode ser elevada para alguns pacientes, especialmente se não tiverem experiência com os efeitos das drogas psicodélicas . Assim, uma primeira dose de 100 μg ou 150 μg de LSD pode ser mais adequada em estudos futuros, com aumento opcional para 150 μg a 200 μg para doses posteriores. 

Embora muitos pacientes voluntários desse estudo já estivessem recebendo tratamento para seu transtorno de ansiedade, o tratamento assistido por LSD melhorou ainda mais a sua sintomatologia, sugerindo benefícios a longo prazo, em pacientes com transtornos de ansiedade. 

Em pacientes com doenças potencialmente fatais, muitas vezes os períodos de sofrimento, dor e ansiedade são intensificados, pois o curso da doença pode impactar nos parâmetros psicológicos, independente da intervenção terapêutica. 

Ao investigar a eficácia e segurança da terapia assistida por LSD em pacientes que experimentaram ansiedade observou-se reduções notáveis ​​e duradouras nos sintomas de ansiedade e depressão comórbidos por até 16 semanas.

O mecanismo de ação do LSD na psiquiatria e na neurociência abre caminho para pesquisas futuras mais aprofundadas e para melhor compreensão de alguns transtornos psiquiátricos, ligados aos mecanismos neurobiológicos e a fisiopatologia do LSD.

Os estudos enfatizam que o LSD pode ajudar a tratar a depressão, a ansiedade, diversos vícios e pode ser uma força motriz e importante área de pesquisa para as empresas farmacêuticas desenvolverem drogas psiquiátricas. 

Referências

GASSER, Peter et al. Safety and efficacy of lysergic acid diethylamide-assisted psychotherapy for anxiety associated with life-threatening diseases. The Journal of nervous and mental disease, v. 202, n. 7, p. 513, 2014.

https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2022.08.025

HOLZE, Friederike et al. Lysergic acid diethylamide–assisted therapy in patients with anxiety with and without a life-threatening illness: a randomized, double-blind, placebo-controlled phase II study. Biological Psychiatry, v. 93, n. 3, p. 215-223, 2023.

https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2022.08.025

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